Mas esse aumento trouxe também aspectos negativos: um aumento de acidentes e vítimas envolvendo esse tipo de veículo, num ritmo até maior do que o aumento da frota. Em 2005, 20% dos mortos em acidentes de trânsito em São Paulo eram motociclistas ou passageiros de motocicletas, transformando a moto no veículo que mais produz vítimas na cidade. Pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre custos de acidentes revelou que 71% dos acidentes com motos envolvem feridos que necessitam de cuidados hospitalares; no caso de outros automóveis, esta proporção cai para 7%.
A origem dos acidentes
Essa situação não é exclusiva de São Paulo, pois vem ocorrendo em muitas cidades brasileiras e do mundo. Na Alemanha, por exemplo, o número de fatalidades de motociclistas não foi reduzido em toda a última década, embora tenha sido reduzida a fatalidade de passageiros de carros. Esse cenário apresenta um grande desafio à sociedade: como reduzir esse quadro de acidentes e vítimas?
Para ir nessa direção, é importante entender como ocorrem esses acidentes.
O trabalho de acompanhamento de acidentes graves e fatais que a CET - Companhia de Engenharia de Tráfego - vem realizando em São Paulo detectou que há alta incidência de casos em que o motivo do acidente é o fato da motocicleta transitar em alta velocidade entre filas de veículos, parados ou em movimento, e ser interceptada por um automóvel que tenta mudar de faixa ou altera seu posicionamento na mesma faixa.
Estudo europeu
Apesar da realidade brasileira não ser semelhante à européia, é interessante conhecer também os resultados de um estudo detalhado sobre 921 acidentes envolvendo motos e ciclomotores, realizado em cinco países europeus - França, Alemanha, Holanda, Espanha e Itália.
São dados do estudo “MAIDS – In-depth investigations of accidents involving powered two wheellers”. A seguir, são apresentados sempre os principais itens de cada tópico. Os números fornecidos é a quantidade encontrada do tipo em cada 100 acidentes analisados.
Locais dos acidentes
54,3 - cruzamentos
38,9 - não cruzamentos
Outra parte envolvida no acidente
60,0 – automóveis
17,0 – via e objetos fixos
8,4 – caminhões, ônibus
e utilitários
6,9 – outros veículos de 2 rodas
Principal fator contribuinte para o acidente
50,4 – motorista
37,1 – motociclista
7,7 – ambiente
0,7 – veículo
Tipos de falhas comuns
36,6 – motorista não percebeu a moto
13,0 – falha de decisão do motociclista, antes do acidente (como não diminuir ao se aproximar de um cruzamento)
11,9 - motociclista não percebeu o outro veículo
9,9 - falha de decisão do motorista
Localização das lesões mais comuns em motociclistas
31,8 – membros inferiores
(pés e pernas)
23,9 – membros superiores
(mãos e braços)
18,7 – cabeça
Efetividade do capacete na proteção da cabeça do motociclista (usado por 90% dos investigados, sendo que quase 68% usavam o fechado)
35,5 – preveniu lesão
33,2 – reduziu a lesão possível de ocorrer
16,5 – área não atingida
Efetividade da vestimenta na proteção do dorso do motociclista
45,4 – reduziu a lesão possível de ocorrer
19,2 - preveniu lesão
14,7 - área não atingida
Efetividade da calça na proteção das pernas do motociclista
50,2 – reduziu a lesão possível de ocorrer
12,0 - área não atingida
11,1 - preveniu lesão
Efetividade dos calçados na proteção dos pés do motociclista
37,6 – área não atingida
27,7 - reduziu a lesão possível de ocorrer
21,0 - preveniu lesão
Efetividade das luvas na proteção das mãos do motociclista
35,9 – área não atingida
23,6 - reduziu a lesão possível de ocorrer
19,9 - preveniu lesão
Conclusões
Algumas conclusões importantes desse
estudo foram:
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