Aqui você encontra informações relacionadas à população brasileira e seus habitantes, aos acidentes de trânsito com vítimas, nos anos de 1999 a 2006, e internações decorrentes de acidentes de trânsito entre 2000 e 2005, além de um levantamento de dados dos Estados brasileiros em relação a população, frota veicular e número de vítimas fatais nos anos de 1996 a 2008 (2008 com dados preliminares).
São apresentadas estatísticas do Brasil e seus Estados. No arquivo para download, são indicados também os casos em que os dados não são completos. Adotamos os dados do DENATRAN, mas incluímos também dados estatísticos do Ministério da Saúde.
Você encontra, ainda, informações pertinentes a cada Estado da Federação, tanto com dados disponíveis no âmbito nacional quanto com estatísticas separadas dos 26 Estados e o Distrito Federal.
Há ainda dados relativos à gravidade das lesões nas rodovias paulistas nos anos de 1999 a 2007 – confira no arquivo Fase I- Dados Gerais_ítens 4 e 5_Número de feridos Sao Paulo
Estão organizadas informações estatísticas quanto aos tipos de veículos envolvidos em acidentes, os tipos de acidentes e suas prováveis causas.
O CESVI BRASIL apresenta um primeiro grupo de resultados de uma nova pesquisa: “Levantamento e análise da mortalidade decorrente de acidentes de trânsito no Brasil”.
As vítimas de trânsito representam uma face dramática da realidade de nossas ruas e rodovias, trazendo à tona números assustadores de mortes no trânsito, que hoje disputam – ou já ultrapassaram – as mortes por violência em diversos Estados do País.
As estatísticas de mortes no trânsito explicitam o problema: o País mata, por ano, cerca de 37 mil pessoas e provoca a internação de outras 180 mil, com um impacto de cerca de 34 bilhões de reais. E, ainda assim, o assunto não é tratado com a devida atenção e recursos necessários. A frequência com que ocorrem é praticamente como se estivéssemos em uma guerra – só que nesta guerra só há perdedores.
A dimensão e o impacto desse problema são tais, não só no Brasil, que a ONU (Organização das Nações Unidas) definiu 2011 a 2020 como a Década de Ações para Segurança Viária no mundo, recomendando que cada país planeje suas ações e as executem de forma coordenada e com o estabelecimento de metas corajosas de redução de vítimas.
Nesse cenário, o CESVI BRASIL, a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), a AND (Associação Nacional dos Detrans) e a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), para contribuir com a mudança desse quadro de vítimas crescentes, estão realizando o movimento Chega de Acidentes! (veja no site www.chegadeacidentes.com.br como apoiar o movimento), lançado em setembro de 2009 e que hoje conta com o apoio de mais de 60 entidades e empresas, além de apoios individuais, defendendo a necessidade da elaboração e implantação de um Plano Nacional de Segurança Viária no Brasil.
ESTATÍSTICAS DE VÍTIMAS DE TRÂNSITO
Antes de apresentar os resultados e análises, algumas palavras sobre as fontes desses dados no Brasil: hoje temos como fontes gerais de dados de mortalidade no trânsito, o Denatran, o Ministério da Saúde e a seguradora Líder - DPVAT.
Qual a diferença entre essas três fontes? De forma resumida, o Denatran adota o critério de fatalidade ocorrida na via, registrada nos boletins de ocorrência. Já o Ministério da Saúde contabiliza as fatalidades ocorridas ao longo do ano, classificadas nas declarações de óbitos como decorrentes de acidente de transporte (segundo regra da OMS – Organização Mundial de Saúde). E o DPVAT indica a quantidade de processos de indenizações de um ano, que inclui também ocorrências de anos anteriores. Então, por exemplo, em 2008, o Ministério da Saúde divulgou a ocorrência de 36.666 fatalidades (dado preliminar, não definitivo) e o DPVAT indenizou 57.113 fatalidades, das quais 36.454 (64%) são relativas a ocorrências de anos anteriores. Já a última estatística divulgada no site do Denatran, de 2006, indicava 20.694 fatalidades ocorridas nas vias (num ano em que 56% dos Detrans indicaram que os dados enviados, de Estados que representavam quase metade da população do País, não eram completos).
Pelo exposto, optou-se nesta pesquisa pelos dados do Ministério da Saúde.
A PESQUISA
A pesquisa que o CESVI Brasil realizou é um levantamento sobre a mortalidade decorrente de acidentes de trânsito no Brasil, detalhada por Estados, do período de 1996 até 2008, em conjunto com dados oficiais divulgados sobre frota de veículos e população. Então, foram pesquisados dados do Ministério da Saúde (mortalidade), população (IBGE) e frota veicular (Denatran).
IMPORTANTE: os dados de 2008 estão sujeitos a alterações, pois, conforme informado nas fontes, ainda são preliminares e, portanto, passíveis de revisão.
Aos que não estão familiarizados como os dados desses tipos de vítimas são classificados na área de saúde, esclarecemos que os acidentes de transportes são estudados, na OMS, na CID (Classificação Internacional de Doenças), hoje na 10ª revisão, no capítulo “Causas externas de mortalidade e morbidade”, especificados em categorias que variam de V01 a V99. Para obter as vítimas fatais de trânsito, objeto desta pesquisa, foram analisadas a mortalidade nas categorias V01 a V89, pois as restantes incluem acidentes de transporte que não são objeto desta pesquisa (por água, aéreo e outros não especificados).
Objetivo
O objetivo desta pesquisa é apresentar um quadro da mortalidade por acidente de trânsito no País num formato que facilite a consulta, a utilização e a análise dos dados por profissionais, pesquisadores, a mídia e a sociedade em geral, contribuindo para divulgação do que está ocorrendo no trânsito e fornecendo uma base comparativa para decisões visando à prevenção dessas ocorrências.
Apresentação dos resultados
Após o levantamento, o CESVI BRASIL está trabalhando para apresentá-los de forma prática e objetiva.
Nesta primeira etapa são apresentados os seguintes resultados:
MORTALIDADE TOTAL, em valores absolutos e índices: é apresentada a mortalidade decorrente de acidente de trânsito, em cada ano, no Brasil e em cada Estado, em gráficos e tabelas. Os gráficos foram organizados em dois grupos, cada um com três valores por ano: o primeiro grupo com os valores absolutos da mortalidade no trânsito, população e frota; e o segundo, com os valores de mortalidade e dois índices de mortalidade, um em relação à população e outro à frota. Nos gráficos com os valores absolutos foram feitos dois apontamentos destacando dois períodos: o início da vigência do CTB e da chamada Lei Seca.
MORTALIDADE POR TIPO DE VÍTIMA E POR FAIXA ETÁRIA: duas tabelas de mortalidade, somente para os anos de 2000, 2007 e 2008, classificada da seguinte forma:
A primeira, discriminando as fatalidades por tipo de vítima (pedestres, ciclistas, ocupantes de veículos, motociclistas e ocupantes de triciclos e outros);
A segunda, por faixa etária (menor de 1 ano a 14 anos, 15 a 19 anos, 20 a 39 anos, 40 a 59 anos e 60 até mais de 80 anos).
Considerações sobre os dados pesquisados
MORTALIDADE TOTAL
No Brasil, o maior pico de mortalidade foi em 2007, com a triste marca de 37.407 vítimas fatais, com uma taxa de 19,9 mortes/100 mil habitantes.
Nesses gráficos, também percebe-se o forte impacto na diminuição de vítimas com o início da vigência do CTB, com redução de 13% nas fatalidades, somente no primeiro ano. Esse efeito não foi uniforme em todos os Estados, o que exigiria uma pesquisa para entender os motivos. Dentre os motivos, poderiam ser incluídos, entre outros, a maior rapidez ou demora em preparar e realizar a fiscalização das infrações segundo as novas regras introduzidas pelo código.
Em relação ao efeito da Lei Seca, que entrou em vigor no final de junho de 2008, é importante frisar que o apontamento da queda de 2% no total das fatalidades deve ser considerado com reservas, pois, como dito anteriormente, os dados de 2008 são ainda preliminares. De qualquer forma, essa ação pode representar o início de um novo período de queda das vítimas no trânsito, o que dependerá da atenção e recursos que o país, cada estado e cada município dedicarem efetivamente à questão. Assim como no período do início do CTB, mesmo nestes resultados preliminares, percebe-se que o efeito nos Estados também não foi uniforme, podendo também indicar a maior facilidade ou dificuldade que cada um está enfrentando para implantar uma fiscalização efetiva.
MORTALIDADE POR TIPO DE VÍTIMA E POR FAIXA ETÁRIA
Na análise da mortalidade por tipo de vítima, percebe-se o enorme aumento que ocorreu entre motociclistas, entre 2000 e 2007, cujas vítimas multiplicaram-se por 3,2, passando de 2.492 para 8118. O segundo tipo de vítima com maior aumento foram os ciclistas, que aumentaram mais de 100%, passando de 789 a 1.649.
Já na análise por faixa etária, os resultados mostram que as fatalidades no trânsito são em maior número entre as pessoas de 20 a 39 anos, mais de 45% do total, com aumento de mais de 32%, de 2000 a 2007, quando passaram de 12.857 a 16.996.
1. Brasil, número habitantes (1999 – 2007) e superfície
Tabela 1 – População e superficie
BRASIL
Nº habitantes
(milhões)
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
168.753
171.27
173.80
176.30
178.74
181.10
183.38
185.56
Superficie
(km2)
8.514.876,599 km2
Fonte: Dados obtidos no IBGE
2. Número acidentes com vítimas (1999 – 2006)
Tabela 2 – A diferença existente entre o total geral e a soma dos totais das rodovias e zona urbana é devido a falta dessas informações nos registros dos acidentes (veja no anexo o campo Não Informados e as observações sobre outros motivos).
ACIDENTES COM VÍTIMAS
Brasil
Nº total
Nº em rodovias
Nº em zona urbana
1999
376.589
31.208
82.383
2000
286.994
38.190
179.594
2001
307.287
49.545
238.132
2002
251.876
55.622
191.745
2003
333.689
46.768
223.692
2004
348.583
55.700
248.024
2005
383.371
63.037
313.101
2006
320.333
49. 035
245.350
Fonte: Dados obtidos no DENATRAN
3. Número de vítimas fatais (1999 – 2006)
Tabela 3 – Vítima fatal, para efeitos desse estudo, é a pessoa que falece instantaneamente no local do acidente, conforme metodologia do DENATRAN.
VÍTIMAS FATAIS
Brasil
Nº total
Nº em rodovias
Nº em zona urbana
1999
20.178
N.I
N.I
2000
20.049
N.I
N.I
2001
20.039
N.I
N.I
2002
18.877
N.I
N.I
2003
22.629
N.I
N.I
2004
25.526
N.I
N.I
2005
26.409
N.I
N.I
2006
19.752
N.I
N.I
Fonte: Dados obtidos no DENATRAN
4.
Número de acidentes em transportes terrestres (1996 – 2004)
Tabela 4 – Apresentamos nesta tabela as mortes por Acidente de Transporte Terrestre – ATT conforme dados coletados pelo Ministério da Saúde. Em razão de metodologia divergente do órgão de trânsito, DENATRAN, é possível o interesse em conhecer, também, estas informações que julgamos mais próximas à realidade brasileira, que segue a classificação da Organização Mundial da Saúde (WHO), apresentada na 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10 – 1995), para acidentes de transporte (capítulo XX, códigos V01 a V99) e subgrupo acidentes de transporte terrestres (códigos V01 a V89).
ACIDENTE DE TRANSPORTE TERRESTRE
BRASIL
MORTES
1996
35.281
1997
35.620
1998
30.890
1999
29.569
2000
28.995
2001
30.524
2002
32.753
2003
33.139
2004
35.105
Fonte: ABRAMET Acidentes de Trânsito no Brasil: Um Atlas de sua Distribuição “ Conhecendo as vítimas de acidentes de trânsito: quantas são, quem são e onde estão”. Pg.103.
5. Número de vítimas não fatais no Brasil (1999 – 2006)
O DENATRAN, até a presenta data, não especifica a gravidade das lesões, portanto, não há informações oficiais, nacionais, a respeito de feridos graves ou leves vítimas de acidente de trânsito.
Tabela 5 – Como não foram encontradas as solicitações das tabelas 4 e 5, apresentamos os dados de feridos (vítimas não fatais), ou seja, aquela pessoa que não morreu no local do acidente. Conforme a metodologia aplicada pelo DENATRAN, órgão executivo no âmbito federal, não foram discriminadas as vitimas em rodovias (carretera) e áreas urbanas.
VÍTIMAS NÃO FATAIS
Brasil
Nº total
Nº em rodovias
Nº em zona urbana
1999
325.729
N.I
N.I
2000
358.762
N.I
N.I
2001
374.557
N.I
N.I
2002
318.313
N.I
N.I
2003
439.065
N.I
N.I
2004
474.244
N.I
N.I
2005
513.510
N.I
N.I
2006
404.385
N.I
N.I
Fonte: Dados obtidos no DENATRAN
6. Internações decorrentes de acidente de transporte terrestre (2000 – 2005)
Tabela 6 – Apresentamos os dados de feridos por lesões decorrentes de acidentes de trânsito, internados nos hospitais próprios ou conveniados com o Sistema ùnico de Saúde – SUS, conforme estatísticas do Ministério da Saúde. Esses pacientes foram, principalmente, do sexo masculino (cerca de 75%) e de faixas etárias jovens (entre 20 e 29 anos representando cerca de 28%; 30 a 39 anos, 17,6% e 10 a 19 anos, 16,8%).
INTERNAÇÕES DECORRENTES DE ACIDENTE DE TRANSPORTE TERRESTRE(VÍTIMAS NÃO FATAIS)
BRASIL
Nº total
2000
107.696
2001
102.220
2002
108.359
2003
108.751
2004
112.498
2005
118.122
Fonte: ABRAMET Acidentes de Trânsito no Brasil: Um Atlas de sua Distribuição “ Conhecendo as vítimas de acidentes de trânsito: quantas são, quem são e onde estão”. Pg.165.
Sistema e processo estatístico de coleta de dados de acidentes
Os dados de acidentes de trânsito são coletados pelos DETRANs, tabulados e depois repassados ao DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito, percorrendo várias etapas.
O RENAEST – Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito é responsabilidade do DENATRAN e tem por objetivo padronizar os dados e informações a serem fornecidos pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, responsáveis e competentes para elaborar estatísticas no âmbito de suas respectivas circunscrições anualmente, estabelecer diretrizes para o funcionamento, coordenar e supervisionar a remessa de informações.
As orientações abaixo estavam à disposição no site do DENATRAN. Entretanto, no início de junho de 2009, estas informações foram retidradas, possivelmente para atualização.
Coleta de dados e análise consistência
A coleta dos dados deve ser feita junto às fontes primárias, que são os Boletins de Ocorrência (BO) elaborados pelas Policias Militares dos estados. Assim, o primeiro passo é a identificação da(s) fonte(s) primária(s) dos dados existentes, no município.
As informações sobre acidentes de trânsito com vítimas devem ser coletadas de forma padronizada, de modo que possam atender às necessidades do DENATRAN. Assim, buscar-se-á obter no BO, as seguintes informações: local do acidente, momento do acidente, características do condutor, características do acidente e características da vítima.
Localização: área urbana ou rural do Município (Estado);
Jurisdição da via: federal, estadual ou minicipal;
Momento do acidente: Data; hora; dia da semana;
Características do condutor: tipo de habilitação, não habilitado, permissão;
Características do Acidente (natureza do acidente): colisão, abalroamento, tombamento, capotagem, atropelamento, choque, entre outros;
Características do Veículo (tipo de veículo): automóvel, caminhoneta, ônibus, microônibus, caminhão, motocicleta, bicicleta, outros;
Características da Vítima: ferimento fatal ou não fatal, sexo, idade, utilização de cinto, utilização de capacete.
Inconsistência dos Dados
Alguns indicadores podem revelar erros nos levantamento dos dados, como por exemplo:
Número de condutores envolvidos em acidentes de trânsito menor que o número de acidentes de trânsito. Em cada acidente de trânsito é necessário que haja pelo menos 1 condutor de veículo envolvido; portando o número de condutores não pode ser menor que o número de acidentes. Esse é um erro comum no preenchimento das planilhas.
Número de veículos envolvidos em acidentes de trânsito menor que o número de acidentes. Em cada acidente de trânsito é necessário que haja pelo menos 1 veículo; portanto, o número de veículos tem que ser maior ou igual ao número de acidentes.
Número de vítimas menor que o número de acidentes. Só está sendo levantado acidentes de trânsito com vítimas; portanto, o número de vítimas só pode ser maior ou igual ao número de acidentes.
Número de veículos envolvidos em acidentes de trânsito menor que o número de condutores de veículos acidentados. É possível haver mais veículos que o número de condutores acidentados, como seria ocaso de um veículo em movimento bater em dois veículos estacionados; entretanto, não é possível haver mais condutores que o número de veículos acidentados, porque a cada condutor deve corresponder pelo menos 1 veículo acidentado.
Tratamento dos dados
Após o correto preenchimento das planilhas de consolidação dos dados, pode-se calcular diversos índices que possibilitam avaliar o desempenho do Município, em relação ao Estado a que pertence e também, em relação aos demais Municípios. A padronização desses índices pelos Estados e Municípios evita distorções causadas por comparações entre índices de estruturas diferentes.
A seguir são apresentados os principais indicadores de acidentes de trânsito:
Vítimas Fatais por 10.000 Veículos;
Vítimas Não Fatais por 10.000 Veículos;
Vítimas de Acidentes de Trânsito por 10.000 Veículos;
Acidentes com Vítimas por 10.000 Veículos;
Vítimas Fatais por 100 Acidentes com Vítimas;
Vítimas de Acidentes de Trânsito por Acidente com Vítimas;
Vítimas Fatais de Acidentes de Trânsito por 100.000 habitantes;
Vítimas Não Fatais de Acidentes de Trânsito por 100.000 habitantes;
Vítimas de Acidentes de Trânsito por 100.000 habitantes;
Índice de Motorização;
Resumo dos Índices Calculados;
Representação Gráfica.
Interpertação de dados Com a consolidação dos dados nas planilhas modelos do DENATRAN, pode-se conhecer as principais características dos acidentes e acidentados, delineando-se o perfil dessas ocorrências.
Quanto às principais características dos acidentes de trânsito a serem estudadas, pode-se citar o tipo de veículo envolvido (automóveis, caminhões, motocicletas etc), tipo de acidente (colisão, atropelamento, capotagem etc.), a fase do dia em que ocorrem, a área (urbana ou rural) etc.
Quanto ao perfil do acidentado pode-se citar o tipo de vítima (pedestre, passageiro, condutor etc.), o uso de cinto de segurança, a idade, o sexo etc.
O conhecimento dessas características poderá dar suporte às decisões a serem tomadas e, também, poderá servir de parâmetro de comparação com resultados futuros, de modo que se possa avaliar a eficácia das medidas implantadas.
Cada Estado poderá, também, avaliar o seu perfil de acidentes e acidentados e compará-los com o Brasil.
Preenchimento correto das planilhas
Os controles do correto preenchimento são indicados dentro das planilhas, mas de forma simples, como a “soma dos totais”. Erros no levantamento de dados ou no preenchimento das planilhas podem ser detectados observando-se, ao menos, esse procedimento de controle.
Os exemplos, a seguir, e os demonstrados no link mostram algumas planilhas corretamente preenchidas e os controles que permitem verificar se não há erros na coleta ou digitação dos dados.
A tabela disponível para download apresenta dados de 1999 até 2006 dos tipos de veículos envolvidos em acidentes com vítimas. As definições quanto aos tipos de veículos estão no item Frota nacional de veículos.
A tabela disponível para download apresenta dados de 1999 até 2006 dos tipos de acidentes com vítimas.
ANO
2004
2005
2006
Total
348.583
383.371
320.333
Colisão / Abalroamento
182.020
205.131
167.104
Tombamento / Capotamento
35.664
39.882
30.178
Atropelamento
65.279
66.936
52.781
Choque com objeto fixo
27.041
31.405
27.234
Ooutros
23.263
29.757
28.566
Não informado
15.316
10.260
14.470
*Fonte: DENATRAN
Conceitos dos tipos de acidentes com vítimas, segundo DENATRAN
Abalroamento: o mesmo que colisão.
Atropelamento: acidente em que pedestre ou animal sofre impacto de um veículo.
Capotagem: acidente de trânsito em que o veículo acidentado emborca, ficando de lado, de rodas para cima ou mesmo voltando a ficar sobre as rodas, depois de girar sobre si mesmo.
Colisão: choque entre dois ou mais veículos.
Choque com objeto fixo: Acidente em que há impacto de um veículo contra qualquer objeto fixo (Poste, árvore, muro, veículo parado em estacionamento).
Não foram encontrados estudos sobre as causas dos acidentes realizados pelo o órgão responsável pela gestão do trânsito no âmbito nacional, o DENATRAN.
Entretanto, algumas entidades desenvolveram estudos relativos ao tema, entre elas citamos:
1. Polícia Rodoviária Federal - PRF
A tabela apresenta as informações de acidentes ocorridos nas rodovias federais nos anos de 1998 a 2003 e em 2007, com as causas presumíveis (fatores contribuintes) identificadas pela PR.
Observação sobre Ingestão de álcool: as informações desta tabela podem não representar a real porcentagem de condutores alcoolizados em razão das dificuldades de fiscalização à época, pois são dados anteriores à Lei a lei federal n.º 11.705/08 que alterou o Código de Trânsito Brasileiro e determinou que o índice ZERO de alcoolemia para condutores de veículos automotores. Esta alteração trouxe mudança de comportamento dos condutores ante a possibilidade de aplicações de penalidades administrativas e penais devido às condições de fiscalização dos condutores se tornarem mais “simples” (item 5.3 do relatório da Fase1).
Além das causas presumíveis indicadas acima, no levantamento de 2007, foram indicadas as condições em que ocorreram os acidentes na tabela abaixo.
CAUSAS PRESUMÍVEIS DOS ACIDENTES NAS RODOVIAS FEDERAIS
EVENTO
2002
2003
2007
Falta de atenção
37.722
32.284
38.499
Não manter distância segura
-
8.127
17.814
Velocidade Incompatível
11.710
12.546
6.570
Desobediência a sinalização
6.380
5.406
3.716
Ultrapassagem indevida
4.497
2.818
Defeito mecânico em veiculo
3.821
3.909
4.259
Defeito na via
2.657
3.387
2.273
Defeito na sinalização
-
-
Sono
-
2.020
2.427
Ingestão de álcool
-
735
1.742
Outras causas
39.612
34.404
42.670
Total
106.399
106.829
122.788
CONDIÇÕES
PORCENTAGEM DE ACIDENTES
Pista Boa
80,75%
Nas Retas
69,48%
De Dia
59,44%
Tempo Bom
67,05%
2. Universidade Estadual Paulista
Pesquisa feita pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), traz informações sobre o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. Dos 4.661 motoristas abordados e convidados a usar o bafômetro, 19,3% estavam com níveis de álcool no sangue acima do permitido por lei. Desses, 84% afirmaram que só voltam para casa dirigindo o próprio carro - entre os motoristas que abusaram da bebida, 48% confessaram envolvimento em algum acidente de trânsito, ante 18% dos que não haviam bebido.
A pesquisa da Uniad foi realizada entre 2005 e 2007, época em que até o nível de 6 (seis) decigramas por litro de sangue (ou 0,3 mg de alcool por litro de ar expelido) era permitido. Somente concentrações de álcool em nível superior a esta seria punível administrativamente e, eventualmente, responsabilidade criminal se houvesse a condução do veículo de forma a expor a incolumidade física de outrem a perigo.
Lembramos que em 19 de junho de 2008, a lei federal n.º 11.705/08 alterou o Código de Trânsito Brasileiro e determinou que o índice ZERO de alcoolemia para condutores de veículos automotores.
3. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Instituto Médico Legal de São Paulo (IML-SP)
Nesta pesquisa, foram colhidas informações quanto a intoxicação alcoólica das vítimas fatais de acidentes de trânsito no Estado de São Paulo nos anos de 2005 a 2007. A pesquisa da FMUSP/IML-SP indicou o álcool como um dos grandes fatores presentes nos acidentes. Os valores de alcoolemia apresentados na tabela 5 são em gramas de álcool por litro de sangue.
ANOS
2005
2006
2007
Total examinado
3.040
3.261
4.008
Alcoolemia Positiva
1.337 (44%)
1.454 (44,6%)
1.819 (45,4%)
Alcoolemia <= 0,5
97
93
93
Alcoolemia >= 0,6
1240
1361
1726
Alcoolemia Média
1,7 g/l
1,9 g/l
2,1 g/l
Média idade dos mortos que apresentavam alcoolemia positiva
As tabelas a seguir informam o crescimento da frota brasileira, separada por categorias de veículos, conforme informação do Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN, tendo como referência a quantidade de veículos licenciados em todo o Brasil e as definições de cada tipo de veículo conforme o Código de Trânsito Brasileiro.
FROTA NACIONAL DE VEÍCULOS AUTOMOTORES (Em milhares)
Veículo
2004
2005
2006
Automóvel
24.936,45
26.309,26
27.868,56
Bonde
0,28
0,22
0,21
Caminhão
1.636,53
1.703,71
1.768,22
Caminhão trator
246,70
263,38
280,04
Caminhonete
1.218,92
1.674,53
2.036,03
Camioneta
2.661,61
2.441,58
2.328,60
Chassi plataforma
7,21
7,08
7,08
Ciclomotor
82,02
82, 93
83,34
Microônibus
173,71
184,47
198,40
Motocicleta
6.079,36
6.934,15
7.989,93
Motoneta
1.218,93
1.136,00
1.370,78
Ônibus
320,26
335,17
353,60
Quadriciclo
0,14
0,15
0,15
Reboque
461,90
498,02
529,33
Semi-reboque
396,83
424,74
458,35
Side-car
4,80
5,65
6,72
Trator Esteira
0,64
0,70
0,79
Trator rodas
11,60
12,34
13,30
Triciclo
1,63
1,95
2,33
Utilitário
36,76
52,60
74,16
Outros
3,90
3,70
3,50
Total
39.240,88
42.071,96
45.372,64
* Fonte: DENATRAN
TERMOS E DEFINIÇÕES
Automóvel
veículo automotor destinado ao transporte de passageiros, com capacidade para até oito pessoas, exclusive o condutor
Bonde
veículo de propulsão elétrica que se move sobre trilhos
Caminhão
veículo automotor destinado ao transporte de carga, com carroçaria, e peso bruto total superior a 3500 Kg
Caminhão Trator
veículo automotor destinado a tracionar ou arrastar outro.
Caminhonete
veículo automotor destinado ao transporte de carga, com peso bruto total de até 3500 Kg.
Camioneta
veículo automotor, misto, com quatro rodas, com carroçaria, destinado ao transporte simultâneo ou alternativo de pessoas e carga no mesmo compartimento.
Chassi Plataforma
veículo inacabado, com equipamento que permita seu deslocamento em vias de rolamento, preparado para receber carroçaria de ônibus
Ciclomotor
veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna cuja cilindrada não exceda a 50 cm3 (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a 50 Km/h.
Microônibus
veículo automotor de transporte coletivo com capacidade para até 20 passageiros
Motocicleta
veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car, dirigido em posição montada.
Motoneta
veículo auto-motor de duas rodas, dirigido por condutor em posição sentada
Ônibus
veículo automotor de transporte coletivo com capacidade para mais de 20 passageiros, ainda que, em virtude de adaptações com vista à maior comodidade destes, transporte número menor
Quadriciclo
veículo de estrutura mecânica igual às motocicletas, possuindo eixos dianteiro e traseiro, dotados de quatro rodas
Reboque
veículo destinado a ser engatado atrás de um veículo automotor
Semi-Reboque
veículo de um ou mais eixos que se apóia na sua unidade tratora ou é a ela ligado por meio de articulação.
Side-Car
carro ou caçamba provido de uma roda acoplada na lateral da motocicleta
Trator Esteira
trator que se movimenta por meio de esteira
Trator Rodas
trator que se movimenta sobre rodas,podendo ter chassi rígido ou articulado
Triciclo
veículo automotor de estrutura mecânica igual à motocicleta dotado de três rodas.
Utilitário
veículo misto caracterizado pela versatilidade do seu uso, inclusive fora da estrada.
Outros
Argumento que não se enquadra em nenhuma definição estabelecida
Os dados apresentados foram fornecidos pelo SINDIPEÇAS – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores que oferece informação a respeito da frota atual de veículos no Brasil.
O SINDIPEÇAS considera frota circulante o número de veículos circulantes em uma região, não importando seu estado de conservação e nem as suas condições de uso.
A metodologia usada na pesquisa envolve fatores como a perda do bem por danos decorrentes de acidentes, roubo ou furto de veículos, considerando “índices de sobrevivência” para automóveis e comerciais leves de 98,5% ao ano e para caminhões e ônibus 99%.