O Código de Defesa do Consumidor destaca o direito à informação na oferta de bens e serviços do mercado de consumo. O Procon-SP, Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, que tem por objetivo elaborar e executar a política de proteção e defesa dos consumidores do Estado de São Paulo, zela por esse direito, executando a política estadual para o equilíbrio nas relações de consumo.
Comprovando a importância da transparência nessas relações, o CESVI BRASIL tem se destacado como fonte de informações técnicas para o mercado, por meio de seus estudos e pesquisas, fornecendo uma série de referências para o setor automotivo, que servem como base para orientar o consumidor na hora da compra de um veículo, na escolha de uma oficina, de um sistema de rastreamento e bloqueio, de uma blindadora, entre outros exemplos.
Nesta entrevista exclusiva para a Revista CESVI, Adriana Cristina Pereira, que atua na diretoria de programas especiais do Procon-SP, explica a importância de existirem referências seguras para o consumidor, auxiliando-o na tomada de decisões e evitando o risco do cidadão ser lesado e ter que recorrer à Justiça.
Quais são os principais focos de atuação do Procon?
A Fundação Procon tem três frentes de trabalho: atendimento ao consumidor, por meio dos postos do Poupatempo ou dos Procons conveniados; orientação aos fornecedores, por meio de cursos e palestras; e educação para o consumo, por meio de cartilhas preventivas, que têm a função de orientar como o consumidor deve agir para evitar futuros problemas, ao realizar ações simples, como pedir nota fiscal na hora da compra, conferir o produto no ato da entrega, entre outras.
Como o Procon chega ao consumidor?
O Procon elabora cartilhas e folders preventivos, possui atendimento pela internet para solucionar dúvidas, faz publicações em jornais, boletins para rádio, assessoria de imprensa, e concede entrevistas sobre assuntos polêmicos. Além disso, tem convênio com Procons municipais, que são treinados e, posteriormente, fiscalizados para comprovar que realmente cumprem o que rege o Código de Defesa do Consumidor.
Qual a importância de existirem referências seguras para quem compra produtos e serviços?
É muito importante porque existe um mar-keting agressivo no mercado, que engana facilmente as pessoas. As referências fazem com que o consumidor sinta-se mais protegido, porque ele fica sabendo que não existe apenas intenção de lucro na venda; o foco é oferecer um serviço satisfatório, baseado em fontes seguras. Se o consumidor tiver acesso a todas as informações, ele mesmo vai julgar o que realmente atende às suas necessidades. É preciso ter transparência na hora de vender, porque, quando você age direito, você não perde o cliente. Mas o grande problema é que muitos fornecedores têm pensamento de curto prazo e não fidelizam a marca.
O Procon recebe muitas reclamações sobre o mercado automotivo no Brasil? Quais são as principais reclamações nessa área?
Sim, as principais reclamações a respeito do mercado automotivo são relacionadas à garantia, documentação e contrato informal. Além disso, existem casos em que o consumidor leva o carro vinte vezes na concessionária por um problema de manutenção e ninguém sabe solucionar seu caso. Muitas vezes, ainda dizem que a culpa é do consumidor porque não perguntou antes.
Você acredita que existem estudos, dados e estatísticas suficientes sobre o mundo automotivo, tanto em relação aos acidentes como para auxiliar o consumidor na hora de escolher um veículo? O que poderia ser feito para mudar isso?
Realmente existe um déficit de informações nesse segmento. Por exemplo, você não sabe se o modelo foi objeto de recall, só ficará sabendo se olhar no manual. Existem empresas, no Brasil, que não querem divulgar ou então nem fazem o recall, porque acreditam que isso trará imagem negativa para a marca. Mas isso está errado, o recall é uma garantia de segurança, demonstra compromisso e preocupação da empresa, fazendo com que o consumidor tenha confiança naquela marca, por isso precisa ser divulgado o máximo possível, principalmente na TV, por ser o maior veículo de comunicação de massa.
O consumidor de automóveis sabe onde encontrar estudos e pesquisas que possam auxiliá-lo nas suas escolhas?
Não, o consumidor não sabe onde encontrar essas referências, mas o correto é que as concessionárias se preocupem com isso. Quem vende é que deve tomar os cuidados necessários para evitar problemas, afinal o consumidor paga pelo serviço completo. Agora, quando a compra é feita de terceiros, então é preciso verificar multas, adulteração de placas, se o carro foi batido, parte mecânica... O correto é ser um consumidor detalhista e verificar tudo antes de fechar o negócio.
Como o Procon entende que pesquisas como as do Cesvi podem orientar o consumidor na hora da compra de um veículo?
Esses estudos são muito importantes, porque a maioria das pessoas não compra carro zero quilômetro, então tem de saber os custos que vai ter depois, é melhor pagar mais na hora da compra do que ter problemas muito mais caros no futuro. Por isso, é essencial verificar não só o custo do carro, mas também como será sua manutenção, o consumo de combustível e de óleo, entre outros itens. Os índices de danos de enchente e de visibilidade são iniciativas geniais; por meio deles, percebemos que existem carros que não deveriam nem ser colocados no mercado. É uma coisa inacreditável, cresce a demanda, a tecnologia evolui, mas as coisas, em vez de progredirem, parecem que vão decaindo, por culpa da falta de informações e referências.
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