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Matéria de capa
Roubo e furto de veículos
Aspectos e números de dois dos dos maiores problemas do negócio de automóveis no Brasil

 

Entrevista
Gilberto Ribeiro
Delegado da DRFA

Itagiba Franco
Delegado da Divecar/Deic

 

Especial
As 50 conquistas
de uma publicação

 
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Matéria de capa

Roubo e furto
de veículos

 
Por Alexandre Carvalho
Editor
     
 
  Aspectos e números de dois dos dos maiores problemas do negócio de automóveis no Brasil  
     
 

Em São Paulo, sair de carro implica levar um dinheiro extra para pagar a taxa do estacionamento ou, no mínimo, do “guardador”, a pessoa que cobra alguns trocados para ficar de olho no seu veículo. Não é para menos. Na capital mais rica do País, deixar o carro estacionado na rua é um risco e tanto. Há tanto a possibilidade dos vidros estarem quebrados quando o proprietário voltar, fruto da ação de marginais interessados em aparelhos de som, quanto a chance do veículo já estar a quilômetros de distância, a caminho de algum local em que outros criminosos estejam esperando para desmanchar o carro e eliminar seus sinais de identificação.
O exemplo acima é o chamado furto: um crime em que o carro é subtraído sem que haja ameaça física ao proprietário. Lamentavelmente, a ação dos criminosos não se restringe ao furto.
Na mesma cidade usada como exemplo, são freqüentes as reclamações de pessoas multadas por terem passado no sinal vermelho à noite. O argumento: não é nada seguro permanecer por alguns minutos esperando a luz verde do semáforo, já que este é um dos pontos preferidos para a ação dos ladrões de carros. Neste caso, o que acontece é o roubo, quando o motorista é forçado a permitir que os bandidos levem o carro mediante ameaça contra sua vida.
É triste, mas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória têm índices realmente assustadores de furto e roubo de veículos; um problema de dimensão tão grande que chegou a transformar o comportamento de quem tem um automóvel, como os exemplos acima evidenciam.

Sociedade não pode mais esperar

Mais uma vez, o CESVI BRASIL tem atuado de forma a gerar discussões e estimular os mercados e a sociedade em prol de uma mobilização que traga resultados práticos com a urgência de que o Brasil precisa. No que diz respeito ao roubo e furto de veículos, o centro de pesquisa tem sido o elo entre montadoras, seguradoras e polícia, por entender que apenas com a troca de informações entre esses segmentos e um trabalho conjunto será possível obter uma redução significativa da criminalidade. O CESVI também tem apresentado novidades que já surtem bons resultados no exterior, e que poderiam também contribuir para um futuro melhor no Brasil.
Sejam esses ou outros os caminhos para o combate ao roubo e furto de veículos, a verdade é que o problema está nos nossos calcanhares, pois a criminalidade nos coloca de joelhos diante um inimigo que sabe jogar e se aproveita da falta de união das setores que podem combatê-lo. Como bem disse o diretor de operações do CESVI, José Aurelio Ramalho, em sua palestra de abertura do evento realizado pelo centro, “mais do que crime organizado, temos uma sociedade desorganizada”. Chegou a hora de mudar esse quadro.

Ponto de partida

Para estimular essa organização o CESVI BRASIL realizou o Segundo Encontro de Montadoras e Seguradoras em novembro.
O tema deste segundo fórum de palestras e debates foi exatamente o roubo e furto de veículos, e o evento contou com a presença de autoridades da polícia do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de executivos das empresas fabricantes de veículos e das companhias de seguros. “Em determinados locais, o roubo e o furto de veículos representam até 70% do custo do seguro. Juntar esforços com as montadoras, cada um com sua experiência, na busca de ações comuns, é uma iniciativa muito boa”, apontou Ricardo Xavier, diretor de automóvel e assuntos institucionais da Fenaseg. “Trata-se de um evento excelente para as seguradoras”, apontou Paulo Gimenes Cutieri, gerente de recuperação de veículos da Itaú Seguros. “Vejo como um processo embrionário para fomentar essa discussão. É necessário envolver a secretaria de segurança pública. É todo um mercado preocupado com o desenvolvimento dessa discussão, com a redução desses índices, coisas que, isoladamente, ninguém consegue”.
“Precisamos manter esse tema em discussão”, concordou Wolfram Werther, da área de marketing da Volkswagen, falando pelo lado das montadoras. “A grande novidade é que todas as partes estão dispostas a conversar, abrir o diálogo. Antes tínhamos apenas ações isoladas. Este é o começo de muitas conversas, para que todos possam colocar seus problemas e pontos vulneráveis de uma forma mais transparente”. Concorrente no mercado, a Peugeot tem pensamento semelhante quanto à importância dessa união propiciada pelo encontro: “As montadoras precisam ter esse entrosamento com as seguradoras, pois, hoje, o custo do seguro determina o sucesso de um veículo”, afirmou Antonio Aloia Neto, coordenador de peças e serviços da Peugeot.

 
 

Toda peça roubada tem um destino.
E se não tivesse?

O combate ao roubo e furto de veículos é mais complexo do que pode parecer, pois não se trata de atos isolados. O roubo, ou furto, em si é apenas o primeiro movimento de um sistema que

 
 
 


envolve a ida do veículo para o fora do País ou para o interior de um desmanche, como são chamados os locais de venda de peças usadas. Como não há uma forma de rastrear as peças, uma vez que as poucas peças com identificação logo têm essas marcas apagadas.
Por isso mesmo, a atividade do desmanche é uma das questões mais debatidas quando se fala no combate ao roubo e furto de veículos. O CESVI BRASIL já chamara a atenção para este fator, inclusive apresentando um modelo de “desmanche legal”, desenvolvido tanto na Espanha quanto na Argentina. Nesse modelo, são criadas estruturas para o tratamento, organização e comércio de peças provenientes de veículos de indenização integral, com um controle rígido quanto à documentação de cada peça. Esta seria uma alternativa que, caso fosse estabelecida como única maneira possível de comércio de peças usadas, restringiria a ação dos desmanches irregulares.

Impressão digital

Ainda dentro da discussão sobre os desmanches, comentou-se, na ocasião, sobre a dificuldade da polícia agir por causa da falta de identificação das peças. Neste ponto, algumas das autoridades presentes defenderam a ampliação das negociações em torno de tecnologias de identificação de veículos.


 

A polêmica dos antifurtos

Outra questão que tem gerado bastante discussão entre profissionais de montadoras e seguradoras é o uso dos dispositivos antifurto que já vêm de fábrica (hoje 100% dos veículos novos têm algum tipo de sistema antifurto).


Segundo as apresentações que as montadoras fazem de seus veículos, tais recursos praticamente tornariam impossível para o ladrão conseguir levar o veículo sem o auxílio do proprietário. Esta afirmação, no entanto, leva a duas questões: A primeira dá conta de que, em alguns casos, algumas seguradoras teriam pagado indenizações por veículos furtados que possuíam as ferramentas antifurto. Fraude? Ou os ladrões já teriam encontrado formas de driblar a suposta impossibilidade do furto?
A outra questão é a da faca de dois gumes. Com mecanismos que impedem que o bandido leve o carro sem a presença do proprietário, o advento desses recursos não estariam estimulando um aumento do roubo (que inclui ameaça física)?
Tais questões foram levantadas no Segundo Encontro de Montadoras e Seguradoras, e certamente serão foco das discussões que serão realizadas pelo grupo de trabalho que os representantes desses dois setores se dispuseram a formar.



 
 
     
 

Roubo caiu em 2006

 
     
 

Segundo a Coordenadoria de Análise de Planejamento (CAP), 2006 até que tem sido um ano positivo, pelo menos no que diz respeito ao roubo de carros em São Paulo. A prática teve queda de 32%, o que condiz com a tendência de queda generalizada da criminalidade no Estado, onde também houve queda de 51% no número de homicídios.

 
     
 
     
 
     
 

Projeto de lei promete regularizar atividade
dos desmanches

 
     
 

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal acaba de aprovar por unanimidade, em caráter terminativo, o Projeto de Lei do Senado n.º 372, de 2005, que “Disciplina o funcionamento de empresas de desmontagem de veículos automotores terrestres”.
O referido projeto foi apresentado pelo senador Romeu Tuma, PFL-SP, acolhendo proposta da Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização) nesse sentido.
Trata-se de matéria da mais alta relevância, na medida em que estabelece uma disciplina uniforme em todo o território nacional para a questão da desmontagem de veículos automotores terrestres e a respectiva comercialização de suas partes como peças de reposição ou sucata, sem prejuízo das demais disposições legais aplicáveis.
“O propósito desse projeto de lei é criar regras rígidas e objetivas de autorização para o funcionamento dos estabelecimentos que desenvolvam a atividade de desmontagem de veículos automotores terrestres e a comercialização de peças de reposição e sucatas, de acordo com determinados critérios”, explica o senador.
O projeto segue para a Câmara dos Deputados.

 
     
 
     
 
     
 

Roubo e Furto de cargas também
sofre com a criminalidade

 
     
 

Problema que também preocupa as autoridades brasileiras é o roubo de cargas, um crime que vem crescendo e deixando em estado de alerta os donos de frotas e as empresas que freqüentemente fazem uso das rodovias para o transporte de seus produtos.
Entre janeiro e setembro deste ano, o Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região) registrou 3135 ocorrências, nas quais os bandidos roubaram produtos num total de quase R$ 140 milhões.
Os produtos alimentícios foram os mais procurados pelos ladrões, num total de 843 ocorrências relacionadas a este tipo de carga.
Mais uma vez, um recurso que auxiliasse a identificar a procedência dos produtos, permitindo sua rastreabilidade, poderia ser de grande ajuda para desestimular a ação criminosa.

 
     
 
     
   
     
 
     
 

Setores unem-se para combater
o roubo e furto de veículos

 
     
 

Por esse tema ser importante tanto para as seguradoras e montadoras, como para a Polícia, representantes dos três setores fizeram palestras, explicando o seu trabalho e apresentando possíveis soluções para o problema.

O que foi apresentado
O delegado de Polícia Divisionário do DIVECAR/ DEIC (Divisão de Investigações sobre Furto e Roubo de Veículos / Departamento de Investigações sobre Crime Organizado) de São Paulo, Itagiba Franco, e o delegado da DRFA (Delegacia de Roubos e Furtos de Autos) do Rio de Janeiro, Gilberto Ribeiro, falaram sobre a estrutura da fiscalização e a repressão do roubo e furto, mostrando a situação atual nos dois Estados.
O coordenador do Instituto São Paulo Contra a Violência, Eduardo Leal, fez uma apresentação institucional e mostrou estatísticas sobre os trabalhos realizados no setor de automóveis, por exemplo, na recuperação de veículos e na atuação em desmanches.
O diretor de operações do CESVI BRASIL, José Aurelio Ramalho, apresentou informações sobre a atuação de centros de pesquisas em ações que podem auxiliar na redução do roubo e furto de veículos.
O representante da Anfavea, Marcus Vinicius Aguiar, retratou a visão das montadoras sobre a questão do roubo e furto. Por sua vez, os representantes da

 

 
 

Fenaseg, Luiz Pomarole e Adhemar Fujii, apresentaram a visão das seguradoras. Ao final das apresentações, os participantes puderam fazer suas perguntas para os palestrantes e debater sobre os pontos apresentados.

Em busca de uma solução
O objetivo do encontro era promover a integração entre os setores presentes, permitir a troca de informações e a discussão de idéias, para chegar ao senso comum sobre a melhor solução para um problema que afeta diretamente todos os presentes, o roubo e furto de veículos.
“O intuito é sair daqui com idéias sólidas para a redução do roubo e furto de veículos. Tenho certeza de que, unidos, nossos setores terão uma possibilidade muito maior de chegar a implementações realmente eficazes para a redução dos índices de criminalidade relacionada ao automóvel no Brasil”, declara Ramalho.
Foi dado o primeiro passo para alcançar esse objetivo. De agora em diante, é preciso que todos se unam para definir as estratégias e tomar ações para combater efetivamente esse problema.
O grupo de trabalho criado terá nova reunião em janeiro. Este grupo é coordenado pelo CESVI BRASIL, Anfavea e Fenaseg, contando com apoio da polícia, órgãos públicos e iniciativa privada.

Iniciativa foi aplaudida
“Foi um evento que vai ajudar muito na união entre as companhias seguradoras, as montadoras e a Polícia.”
Eduardo Leal, coordenador do Instituto São Paulo Contra a Violência

“O tema escolhido é muito interessante, o fundamental agora é a criação de um fórum específico. É necessário que haja uma regularidade desses encontros, e nos colocamos à disposição para contribuir no que for necessário.”
Airton Vicente Rosendo, analista de marketing de pós-vendas da Fiat

“A iniciativa do evento foi muito boa, mas é necessário que haja prosseguimento. Trabalho em conjunto é fundamental.”
Mario Saad Júnior, supervisor de suporte técnico da Ford.

“Além do lado financeiro, há um cunho social envolvido, principalmente por termos sugestões para uma legislação que contribua para um trabalho mais efetivo das montadoras, das companhias de seguros e dos agentes de segurança pública.”
William Monteiro, gerente de pós-vendas da GM do Brasil.

“Muita coisa está sendo feita, decisões estão sendo tomadas. Com a evolução tecnológica, há muito o que fazer, sempre em prol do cliente final.”
Gustavo Kulaif, analista técnico pleno da Bradesco Seguros.

“Foi um tema oportuno, que não havia sido abordado com todos os envolvidos até esse momento, o que pode estimular a criação de uma comissão, o que vai trazer efeitos positivos.”
Maurício Galian, diretor executivo da Mapfre Seguros.

“O evento foi produtivo, levantaram-se questões que não estavam claras para todo o segmento. O tema foi pertinente porque é um problema atual dos dois setores.”
Marcus Vinicius Aguiar, da Anfavea

“O tema escolhido foi muito importante, porque o roubo e furto representam 50% da preocupação do segmento. O evento não envolveu só seguradoras e montadoras, mas também o Estado, representado pela Polícia, o que é muito importante para propiciar o senso comum.”
Luiz Pomarole, da Fenaseg

“O encontro foi excelente, considerando que cada parte tem muita informação, que cabe ao grupo integrar e transformar em resultados, estendendo para outros órgãos, o que vai requerer disciplina e organização.”
Adhemar Fujii, da Fenaseg

“O evento foi extremamente importante para ter uma visão ampla de como cada segmento enxerga o problema do roubo e furto e o que cada um faz para tomar medidas que tragam benefícios. Acredito que o evento atingiu seu objetivo.”
Gilberto Ribeiro, delegado da DRFA do Rio de Janeiro

 
     
 
     
 
     
 

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