No dia 5 de maio, a terceira edição de eventos do CERTA (Centro de Referência Técnica Automotiva) trouxe um tema mais que polêmico ao seu seleto público: a Resolução 245, sobre a obrigatoriedade da instalação de antifurtos em veículos saídos de fábrica, que passa a valer a partir do dia 1º de agosto. Uma plateia de mais de cem executivos e diretores de 16 companhias de seguros, cinco montadoras e empresas do setor de rastreamento e bloqueio de veículos assistiu a uma elucidativa palestra de Antônio Calmon, coordenador geral do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), seguida por um acalorado debate entre os convidados para formar a mesa de discussões sobre o tema.
Tendo como mediador o superintendente de negócios do CESVI BRASIL, Sergio Ricardo Fabiano, o evento contou com abertura de José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sescon (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado de São Paulo), cujo auditório gentilmente abrigou o debate. “A Resolução 245 vai trazer uma evolução de tecnologia muito grande, mas temos que avaliar se a tecnologia disponível hoje atende às necessidades do mercado. Eu mesmo já tive um carro roubado que contava com rastreador”, alertou.
Em seguida, o presidente do SindSeg-SP, Mauro Batista, comentou a importância do encontro. “Estamos debatendo a essência daquilo que contribui para a cidadania, valorizando o ser humano e o meio ambiente. Esse evento do CERTA se encaixa na vocação do CESVI para, a partir de seus estudos, promover este debate reunindo um público heterogêneo, mas ligado à indústria automotiva”.
A constatação de que o debate refletiu o tom polêmico da Resolução se estendeu a todos os participantes, dos debatedores ao público presente. “O debate foi positivo, mostrou divergências saudáveis e constatou que ainda existem questões a serem resolvidas”, afirmou Fernando Simões, do SindSeg, que também estava à mesa. “Se essas questões não forem resolvidas até o prazo, seria correto adiar a Resolução para que ela seja plenamente implantada e traga a eficácia que propõe. É claro que a Resolução não vai resolver todos os problemas, o risco de roubo continuará, mas muita coisa pode melhorar com ela. No entanto, se as pendências não forem resolvidas antes da implantação, é possível que a obrigatoriedade caia em descrédito. De toda forma, o debate do CERTA foi muito importante para o esclarecimento de dúvidas de todos os lados”.
Jorge Martinez, da Liberty Seguros, também aprovou o evento. “O esclarecimento das dúvidas foi importante para as nossas estratégias de atuação. Como seguradora, acredito que tudo o que puder reduzir riscos é importante, mas a grande questão será a eficiência do sistema implantado e o combate às tecnologias que serão criadas pelos criminosos”.